Sim! E essa é uma das perguntas que mais escuto no consultório. Afinal, quando pensamos em varizes, muita te ainda associa o tratamento à cirurgia tradicional — com cortes, internação e tempo de repouso. Mas a boa notícia é que a medicina evoluiu muito e hoje temos diversas opções menos invasivas, eficazes e com recuperação rápida.
Vamos começar entendendo o que são varizes. Elas são veias dilatadas, tortuosas e com mau funcionamento das válvulas internas. Essas válvulas deveriam garantir que o sangue das pernas subisse até o coração. Quando falham, o sangue “desce” novamente, causando refluxo venoso. Com o tempo, esse acúmulo de sangue dilata as veias, gerando sintomas como dor, peso, inchaço, coceira, cansaço e até mudanças na coloração da pel
e. Mas a pergunta é: toda variz precisa de cirurgia? A resposta é não. O tratamento vai depender de vários fatores: o tamanho das varizes, a presença de sintomas, o tipo de veia acometida, a existência ou não de refluxo em veias safenas, e claro — o estilo de vida e preferências do
Conheça os tratamentos não cirúrgicos mais utilizados hoje:
1. Escleroterapia com glicose hipertônica É o famoso “secar vasinhos”. Usada principalmente para vasinhos (telangiectasias) e veias muito finas. A substância aplicada (geralmente glicose concentrada) provoca uma irritação controlada na parede da veia, levando ao seu fechamento. Vantagens: Procedimento rápido, feito no consultório, sem anestesia, com retorno imediato às atividades. Desvantagens: Pode causar leve ardência durante a aplicação e, em alguns casos, manchas temporárias.
2. Espuma densa (polidocanol ou lauromacrogol em forma de espuma) Indicado para varizes de médio calibre ou para pacientes que não podem ou não querem fazer cirurgia. A espuma é injetada dentro da veia, guiada por ultrassom, e provoca o fechamento controlado do vaso. Vantagens: Pode ser usada em veias nutridoras, veias safenas (em alguns casos), varizes calibrosas, e até em pacientes com úlceras venosas. Desvantagens: Pode causar leve inchaço, escurecimento temporário da pele e sensação de peso nos primeiros dias.
3. Laser transdérmico Ideal para vasinhos mais superficiais ou pequenos pontos estéticos. O laser atinge o vaso sem agulha, através da pele, causando sua contração e posterior reabsorção pelo corpo. Vantagens: Sem agulhas, sem anestesia, rápido. Desvantagens: Pode causar leve desconforto durante o disparo e exige mais de uma sessão.
4. Tratamento combinado (escleroterapia + laser) Muitas vezes, usamos técnicas associadas para melhores resultados — por exemplo, primeiro aplicamos a escleroterapia para vasos maiores e finalizamos com o laser para os mais superficiais. Essa abordagem personalizada é muito eficaz, principalmente em pacientes com diversos tipos de vasos.
5. Radiofrequência e laser endovenoso (termoablação) Embora ainda sejam procedimentos médicos realizados em ambiente hospitalar, essas técnicas não envolvem cortes. Um cateter é introduzido dentro da veia doente e, através de calor (laser ou radiofrequência), ela é fechada por dentro. Vantagens: Minimiza o trauma cirúrgico, com menos dor e recuperação mais rápida. Desvantagens: Custo mais elevado, exige estrutura adequada para o procedimento.
Mas como saber qual tratamento é o ideal para mim? Tudo começa com uma boa avaliação. O cirurgião vascular vai realizar uma anamnese detalhada, exame físico e, se necessário, um ultrassom doppler venoso, que mostra se existe refluxo em veias profundas ou safenas. Com base nisso, é possível indicar o melhor tipo de tratamento — ou até combinar métodos para um resultado mais completo. 👉 Nem toda veia visível é uma variz “grave” e nem toda veia invisível está funcionando bem. Por isso, só olhar o aspecto estético não é suficiente. A avaliação individual é o ponto de partida.
E se eu tratar agora, posso evitar a cirurgia no futuro? Na maioria das vezes, sim. Ao tratar precocemente os primeiros sinais da insuficiência venosa, podemos evitar que as varizes se tornem mais calibrosas, dolorosas ou que causem complicações como manchas, eczema, sangramentos ou úlceras. Além disso, tratar cedo permite usar técnicas mais simples e menos invasivas. Quanto mais avançado o quadro, mais complexa tende a ser a abordagem. E, como toda doença crônica, as varizes pedem cuidado contínuo.
E se eu não tiver sintomas? Ainda assim devo tratar? Sim, dependendo do caso. Mesmo que você não sinta dor ou inchaço, o acúmulo de sangue pode estar sobrecarregando suas veias silenciosamente. Além disso, muitas pacientes buscam o tratamento por motivos estéticos — e está tudo bem! O incômodo visual pode ser um fator legítimo de desconforto emocional e autoestima.
Em resumo:
✔ Hoje existem sim tratamentos para varizes sem cirurgia.
✔ As opções vão desde a escleroterapia simples até o laser, espuma e radiofrequência.
✔ A escolha ideal depende do seu caso, dos sintomas, do tipo de veia e das suas preferências.
✔ O acompanhamento com um cirurgião vascular é essencial para montar um plano personalizado e seguro.
✔ E o mais importante: quanto antes começar a cuidar, melhor será o resultado.
Se você já reparou sinais nas pernas — seja vasinhos, veias azuladas, peso, inchaço ou apenas um incômodo estético — não espere evoluir. A prevenção ainda é o melhor tratamento. Marque sua avaliação e descubra qual o melhor caminho para cuidar da saúde das suas pernas com leveza, segurança e bem-estar.

